Furacão Lucas Dunka: piloto coloca fogo no Brasileiro de Motocross

Postado em 1 de outubro de 2021.

Lucas sonha alto e com leveza: o importante é a diversão, garante o piloto

 

Foi nos anos 1970 que as inigualáveis motocicletas 2 tempos assumiram um enorme protagonismo. Donas de motores de som inconfundível, comparado ao zumbido de abelhas, e de um escapamento que exala muita fumaça, elas ainda protagonizam cenas de enorme vibração entre os apaixonados.

Nas pistas, pilotar uma moto com essas características não é para qualquer um. É preciso ter talento e muita habilidade, afinal, a moto 2 tempos, que faz apenas duas rotações do pistão e não possui freio motor, torna a pilotagem mais complexa, diferente de uma moto com motor 4 tempos, mais fácil de pilotar pelas condições do seu centro gravitacional e equilíbrio, entre outras características.

Neste ano, o regulamento do Campeonato Brasileiro de Motocross trouxe uma alteração que permite a competição com motos 2 tempos de até 250cc. Foi nesse cenário que brilhou o piloto catarinense Lucas Dunka. Detalhe: até bem pouco tempo ele jamais havia pilotado uma moto 2 tempos! “Eu sempre tive o sonho [de correr com uma moto de 2 tempos], mas é praticamente impossível disputar de igual para igual com as motos da atualidade. Com a nova regra no regulamento, eu pensei em fazer uma etapa do brasileiro para agitar a galera”, conta.

Piloto ousou ao pilotar uma 2 tempos e assim, atrai olhares e torcida

 

Assim, aceitando o convite do time da JP Racing, loja paulista de peças para motocicletas e revenda MXF de miniveículos, ele topou o desafio de correr não apenas uma etapa, mas todo o Campeonato em cima da sua Yamaha 2 tempos, regalo que ganhou pelas aventuras no universo do free rider, modalidade cheia de estilo e rebeldia seguida pela molecada nos Estados Unidos e que aqui, no Brasil, vem trilhando um caminho interessante também. “Aceitei na hora! Para mim, é um desafio colocar uma moto desatualizada para competir contra as motos da atualidade. E deu no que deu!”, sorri. A bordo de sua moto, Dunka deu show e venceu as duas etapas e quatros baterias no Campeonato, deixando para trás pilotos de grandes marcas. Ele causou um rebuliço gigante no mundo do motocross: graças ao feito, as equipes e pilotos já estudam colocar na pista motos 2 tempos, mudando completamente a estratégia definida no início da temporada. Além disso, os resultados que o piloto vem colhendo fazem com que tenha muitos fãs e torcida. “Até o fim do ano, minha meta é continuar indo nas corridas para me divertir e levar a alegria para a galera e, quem sabe, sair com um bom resultado no fim do ano”, diz, com leveza.

Conheça mais sobre Lucas Dunka:

Desde muito pequeno, quando ganhou do pai uma Panda 50cc sem banco e freio, o piloto sonhava em ser profissional. Foram anos de luta até alcançar o status. “Até que em 2014 meu amigo Luciano Reis me levou para a sua casa e me emprestou uma moto e equipamentos para eu fazer a estreia no Campeonato Catarinense de Motocross na categoria intermediária MX2. Foi um ano muito legal e eu consegui ser campeão”, conta Lucas. O piloto de motocross representa a GaiaMX desde 2014. “Para mim, eles são como minha família. Fico muito feliz em poder fazer parte do time e de alguma maneira contribuir com a marca.”

Agora, em 2021, além do desempenho no Brasileiro, o piloto comemora também a vitória no Campeonato Catarinense de Motocross nas categorias MX1 e MX2, além do fato de estar entre os dez melhores do país no Arena Cross. Em 2020, Lucas Dunka foi campeão brasileiro representando a equipe Honda Racing, porém não renovou seu contrato e se tornou free rider. “Me inspiro no Axell Hodges! O maior ou um dos maiores do mundo na modalidade”, revela Lucas, com paixão de fã.

Jovem e com planos para continuar buscando títulos, o piloto é cheio de vontade e de determinação. Prova disso veio no ano passado, quando começou o ano desmotivado e com um enorme obstáculo mental para vencer. Na abertura do Campeonato, Lucas era um dos mais rápidos na pista, mas, na segunda etapa, sofreu um acidente sério, quando bateu a cabeça com força, precisou de acompanhamento médico e, principalmente, vencer as barreiras criadas por ele mesmo. “Quando voltei a treinar, eu estava com muito medo, parecia que eu nunca tinha andado em uma moto, as mãos suavam, tremiam. Tive que procurar uma psicóloga e foram muitas sessões até descobrir que meu cérebro criou um trauma, que qualquer coisa que me colocasse em perigo ou adrenalina meu corpo travava”, lembra.

Lucas mostrou que é possível. Recuperado plenamente apenas duas semanas antes da final do Campeonato e diante de um sonho quase inalcançável, o piloto não desistiu: mirou o alvo, lutou, brigou e conquistou. “A principal diferença entre nós, pilotos, está na cabeça: você pode ter uma moto pró, um preparo físico dos melhores, mas, se sua cabeça não estiver boa, você não vence. A forma que eu encontrei para estar sempre bem comigo mesmo é levar a corrida como diversão, e tem funcionado muito bem para mim.”

Das pistas para a vida: ou você faz da corrida uma diversão ou vai falhar na primeira curva. Lucas Dunka já fez a escolha dele.

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