Jean Ramos GaiaMX

Entrevista com Jean Ramos, piloto GAIAMX

Postado em 8 de outubro de 2018.

Essa semana conversamos com Jean Ramos, nosso piloto, que contou um pouco sobre o AMA Supercrossmaior e mais importante campeonato de Supercross do mundo,  sua rotina de viagens e como surgiu a paixão pelo motocross.

Jean Ramos iniciou no MX com quatro anos por influência da família. Em 2016 o curitibano foi o segundo brasileiro na história a ganhar o título latino-americano de motocross na categoria principal.

Confira:

Quando vai ser a primeira etapa do AMA?

O AMA ocorre no primeiro final de semana de janeiro e vai até o meio de maio. Ao todo são nove etapas, que acontecem na Costa Oeste e na Costa Leste dos EUA. Eu participo das primeiras etapas na Costa Oeste na categoria 250, mais como uma preparação para os campeonatos brasileiros. Às vezes volto nas últimas etapas. Das nove etapas participo em média de umas seis.

 

E como fica a classificação, já que você não participa de todas as etapas?

No AMA o meu foco mesmo é treinar para pegar o ritmo. Esse ano fiquei em 17º no campeonato, mas ano passado fiquei em 14º.

 

Como você se prepara antes do AMA?

No AMA o ideal é ter um período de dois, três meses para treinar. Mas como aqui no Brasil os campeonatos normalmente são prorrogados até dezembro e o AMA já em janeiro, acabo tendo apenas de três a quatro semanas para treinar. Por isso, tenho que me adaptar bem rápido, o que acaba influenciando bastante nos resultados.

 

Você vai participar do AMA em janeiro do ano que vem?

Ainda não sei. Esse ano a minha ida depende muito de quando o Campeonato Brasileiro vai acabar. Do ano passado para esse ano, acabei indo direto e agora estou sentindo o cansaço, então quero ter um tempo para descansar.

 

Falando em descansar, você consegue/gosta de tirar férias do motocross?

Quando eu não participo do AMA, por exemplo, não deixo de acompanhar. Mas procuro ficar mais ou menos um mês sem moto. Mas sempre faço alguma atividade física.

 

O AMA é dentro de estádio, em pista fechada. Tem muita diferença participar em uma pista fechada e em um terreno natural, como são as provas de motocross?

No Motocross, a pista é mais natural, normalmente tem 1500 a 2000 metros. Já no supercross é 800 a 1500 metros dentro de um estádio ou arena.

Além disso, a diferença mesmo é o público. Quando fui correr pela primeira vez no supercross, não percebi o público de primeira, mas quando olhei para cima e vi aquele tanto de gente, tomei um susto.

No começo até dá aquele estranhamento, a pessoa pode perder o foco, mas depois acaba acostumando

 

Então no motocross não dá para ver tanto o público?

Na verdade, o público não acompanha tanto o motocross, não dá pra ver a pista toda, é de dia, e acontece sábado e domingo, acaba sendo um pouco mais desgastante.  Diferente do supercross que além de ser de noite, acontece em um só dia e dá para ver a pista toda. Então o público acaba se interessando mais.

 

Mudando de assunto, como surgiu a paixão de Jean Ramos pelo motocross?

Eu fui muito influenciado pela minha família. Meu pai sempre foi muito apaixonado por moto, acompanhava as provas nos 1980, mas nunca teve condições financeiras de praticar, só foi ter quando já estava casado e minha mãe disse: “quando te conheci você não era piloto, agora é que você não vai ser” (risos). Acabou que um vizinho nosso andava de moto, meu irmão do meio viu, gostou e começou a praticar, logo meu irmão mais velho, depois minha irmã também e eu fui vendo eles e quis também. Meu irmão mais velho e minha irmão tiveram que parar e agora só está eu e meu irmão do meio.

Assim como os outros esportes, o motocross é bastante difícil e se eu consegui chegar onde estou hoje, não foi só pelo meu sacrifício, minha família também teve que se sacrificar muito também.

 

E como foi que o hobby virou profissão?

Até uns 13/14 anos eu praticava mais como hobby mesmo. Até participei de alguns campeonatos brasileiros, mas sempre entendi que meus pais não tinham condições financeiras para que eu pudesse me jogar de cabeça no esporte. Treinava pouco, mas a gente dava um jeito. Só em 2006 quando me mudei para categoria MX2 que são 250 cilindradas, e entrei para uma equipe, que comecei a praticar como profissional.

 

Um dia você está nos Estados Unidos, no outro você está aqui no Brasil, como é essa rotina de viagens?

É bem puxado. De dezembro até março, fico nos Estados Unidos e o restante do ano fico no Brasil. Normalmente, de dois a três finais de semana estou viajando. Então é um pouco desgastante. A vida com namorada é complicada, a pessoa tem que entender, ser parceira. Mas como eu faço isso desde pequeno, já me acostumei, para mim é estranho ficar em casa.

 

E ainda tem provas esse ano aqui no Brasil?

No último fim de semana de setembro teve a terceira etapa do Arena Cross, que estou em segundo lugar, mas ainda tem mais três etapas para acontecer. Também tem mais duas etapas do Campeonato Brasileiro que estou em quinto lugar. E, às vezes, tem uma prova ou outra promocional, para gente se preparar para esses dois campeonatos.

 

Jean Ramos tem alguma superstição antes de correr?

Superstição não. Antes de correr procuro mentalizar a pista por onde vou passar. Às vezes implico com algumas coisas, por exemplo, se eu corri uma vez com um capacete e fui mal ou cai, já fico “meio assim” de usar de novo, se eu for mal uma segunda vez, eu nem uso mais, só para treinar mesmo. Isso também depende muito da época, tem dias que você está com bastante autoconfiança, que o mundo pode cair do seu lado e você nem se abala, mas tem dias que mudou o vento e já fica com aquele medo.

 

Qual sua motivação para acordar de manhã, levantar da cama e ir treinar ?

O que mais me motiva é sentir a adrenalina de estar em cima da moto. Quando estou de férias, na primeira semana até dou uma descansada maior, mas na segunda já tenho que procurar algum outro esporte para praticar e gastar energia, senão fica chato.

 

Quais outros esportes você pratica?

Eu corro a pé mesmo, remo, faço natação, musculação. Mas o meu favorito é pedalar, porque a bicicleta é mais parecida com a moto e é ao ar livre também.

E para finalizar, quais  lugares bacanas você indica para praticar off-road aqui no Paraná?

Quatro barras, Araucária e Campina Grande. A região metropolitana tem um centro bem legal de pistas. Dá tanto para treinar mais sério, quanto “brincar”.

 

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